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O que Freud tem a ver com as Constelações Sistêmicas?

07/05/2016

Hoje vou transcrever um pedaço de um artigo que escrevi a pedido da Revista Psicologia, sobre esta mente brilhante que contribuiu muito para todas as ciências que envolvem a saúde humana (medicina, psicologia entre outras) e os relacionamentos, chegando até as Constelações Sistêmicas, em homenagem aos 160 anos de seu nascimento, completados ontem, dia 6 de maio: Sigmund Freud.

 

  

Como você já deve saber, por muitas décadas a psicologia vem se debruçando sobre os transtornos psíquicos, tentando interpretar, principalmente através dos conteúdos inconscientes dos indivíduos, as causas para os males que afligem as pessoas, suas relações e contextos de vida e descobrindo possibilidades para tratar e solucionar esses sofrimentos.

Muito se avançou desde que Freud, neurologista Austríaco e pai da psicanálise, começou a estudar cientificamente ao que ele categorizou como estrutura psicológica (o conjunto entre inconsciente, consciente e superconsciente), dando olhos e ouvidos para o sofrimento humano que havia por detrás das doenças psiquiátricas, que até então eram tratadas com medicamentos, choques e outras formas de sofrimentos ainda maiores, que levavam as pessoas aos manicômios e ao total isolamento social, a partir do momento em que eram categorizadas e rotuladas, geralmente de forma irreversível, como “loucas”.

 

Na década de 30, depois de estudos vastos sobre o inconsciente humano e suas vicissitudes, ou seja, a forma como o inconsciente adaptava-se frente a traumas, sofrimentos ou mesmo às regras sociais (de formas ajustadas ou às vezes nem tanto), Freud tornou-se o pai das primeiras formas para observar, escutar e curar o psiquismo humano antes que este chegasse a um nível insuportável de sofrimento, causando a loucura.

 

Longe de ser um homem conservador ou paralisado pelas repressões militares, religiosas, sexistas ou sociais de sua época, Freud discorreu imensamente sobre os bloqueios sexuais, infantis e também presentes nas relações familiares e conjugais, com clareza e sensibilidade ímpares, tendo sido, além de um cientista magnífico para a sua época, um exímio pai de família, romântico e amante de artes como a poesia.

 

Foi assim então que, como profissional lúcido e dedicado que era, declarou: "Os poetas e os filósofos descobriram o inconsciente antes de mim. O que eu descobri foi o método científico que nos permite estudar o inconsciente".

Conforme consta nos vídeos do acervo pessoal do pai da psicanálise que são mostrados no atual museu aonde fora sua última residência em Londres (em que passou seus últimos anos de vida durante o exílio nazista da Áustria), Freud faz um pedido aos que levariam este conhecimento adiante, dizendo que o a obra que ele desenvolvera sobre psiquismo humano e seu funcionamento, era apenas o começo e que gostaria que os que viessem depois dele desenvolvessem muitas outras formas de aprimorar ainda mais tudo o que ele acabara de iniciar.

Muito se avançou depois disso.

 

E dentro do assunto que interessa para nós, que são as Constelações Familiares, um dos alunos e colegas de Freud, Carl Gustav Jung, criou e discorreu amplamente o conceito de Inconsciente Coletivo e que hoje é estudado por algumas áreas da psicologia, sendo uma das bases de fundamentação da parapsicologia.

Jung nos trouxe a descoberta de que o inconsciente na verdade não era individual, mas coletivo, e que estaríamos todos nós, seres humanos, conectados em uma grande malha universal psíquica de símbolos (chamados por ele de arquétipos), através dos quais todos somos capazes de compreender a linguagem uns dos outros e viver experiências parecidas umas com as outras, através de informações que são trocadas nas interações não apenas através da linguagem, mas também de forma subliminar.

 

Para Jung a interpretação do inconsciente individual já não era mais tão importante quanto tentar desvendar de que maneira este inconsciente coletivo, que ele acabara de descobrir (pelo menos de forma científica) manifestava-se através dos sonhos, símbolos universais, desenhos, interações e através de uma linguagem que parecia manter em conexão casais, pais, mães, filhos, famílias, nações ou mesmo grupos de pessoas que se uniam em torno de ideias ou causas em comum, “compartilhadas” em níveis para além da linguagem e profundamente enraizadas no íntimo de cada ser.

Dentro do estudo do Inconsciente Coletivo, Jung, influenciado por filosofia oriental e ocidental, alquimia, astrologia e sociologia, bem como literatura e artes, dedicou-se, entre muitas outras metodologias, a explicar o funcionamento do Inconsciente Coletivo a partir do estudo do Tarot, a ferramenta mais próxima na época do que ele acabara de descobrir, que utilizava símbolos (ou arquétipos) que pareciam refletir os conteúdos e as experiências humanas inconscientes através de imagens e que era utilizado, geralmente de forma secreta, por diversos grupos, seitas e comunidades pelo menos desde o século XIV.

 

A partir de Jung, muito avançou-se neste sentido, inclusive com grandes contribuições para a área que futuramente seria chamada de parapsicologia, e que dedica muitos de seus estudos sobre o acesso a informações extra físicas (ou parapsíquicas) nas pessoas e grupos.

 

Anos mais tarde, surge uma outra área expressiva da psicologia, fundamental quando queremos compreender as Constelações Familiares, chamada Psicologia Sistêmica Familiar, que teve como base a famosa psicanálise de Freud, mas também Teoria Geral dos Sistemas (da administração), Física Quântica, Cibernética da Comunicação Humana, o estudo dos ecossistemas da Biologia e outras áreas que se interligam ao estudo do Inconsciente Coletivo Familiar.

 Assim como Freud fazia no início do século 20, ao tentar desvendar transtornos psicológicos a partir da observação e interpretação dos conteúdos psíquicos dos indivíduos, por volta de 1950 surge a terapia familiar, que descobre a necessidade de buscar outras áreas de conhecimento que complementassem a psicanálise afim de compreender certos transtornos psíquicos que eram impossíveis de serem tratados e curados sem um olhar e observação dos contextos em que o indivíduo que sofre estava inserido.

 

E assim surgiu este novo paradigma dentro da psicologia, trazendo a importância dos contextos familiares e sistêmicos em toda a sua complexidade para tornar possível uma nova abordagem, que desenvolveu-se e estrutura-se até hoje em uma metodologia que baseia-se não na interpretação, mas na circularidade da comunicação, que, quando possível nas relações, traz alívio, novas possibilidades de co-construção nas relações e sistemas sejam eles familiares ou profissionais e, consequentemente, novos horizontes para aquele que sofre psiquicamente, e que geralmente é aquele que “acusa” o sofrimento de um sistema inteiro através do seu próprio sofrimento (e a que damos o nome de “paciente identificado”).

          

 

 

Esta nova compreensão trouxe à luz todos “emaranhamentos” gerado no inconsciente coletivo familiar, geralmente causados pela discrepância ou incoerência gritante entre o que as imagens inconscientes (ou sensações e sofrimento psíquico) do paciente identificado, lhe confirmam sobre o funcionamento da família e que lhe são impossíveis comunicar (seja por repressão ou mesmo manutenção do segredo) versus o que a família fala (ou não fala), mas que carrega em seu campo invisível de informações e consequentes  dificuldades de linguagem (cibernética da comunicação), comumente causados por segredos pesados ou emaranhamentos diversos, como acordos inconscientes entre determinados membros da família para proteger alguém de algo ou de algum sofrimento inevitável perante fatos difíceis que ocorrem ou ocorrerão  na própria família (abuso sexual, alcoolismo, violência doméstica, adoção, traição, assassinatos, mortes precoces etc.).

O problema é que, na tentativa de “abafar” o sofrimento, muitas vezes estes tornam-se ainda maiores ou transformam-se em verdadeiras bolas de neve, com reações em cadeia que podem atingir pessoas que sequer tinham a ver com o problema original.

 

E assim o trabalho de Freud  foi se desenrolando e evoluindo, com a contribuição de muitas outras pessoas importantes como Gregory Bateson, Jay Haley, Paul Watzlawick e Don. D. Jackson estava a simpática Virginia Satir, que teve papel fundamental dentro do que Bert Hellinger mais tarde sistematizou como “Constelações Familiares”.


Aos poucos vou escrevendo aqui para vocês mais sobre a evolução das técnicas, conquistas e resultados que foram sendo obtidos até chegarmos nos momentos atuais!

 

Um bom final de semana a todos!

Daniele Tedesco

 

 

 

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